As peripécias do Casalzinho Bacana #02

À LÁ RODRIGO HILBERT (na visão DELA!)

Eu sempre perdi brincos, anéis, pulseiras e afins. Aos cinco anos perdi um anel de ouro que era herança de família. Ele apareceu dias depois, todo amassado porque estava perdido no tapete e foi muito pisoteado. Foi triste.


Por essa razão, sempre deixei claro que não me importaria em receber um “anel brinde de chicletes” como pedido de casamento. O pedido em si já seria incrível para mim.


Numa manhã qualquer de inverno, estávamos na casa da minha família nos preparando para o café da manhã. Ao abrir a caixa de leite, Luís percebeu que o lacre tinha o formato de um anel e despretensiosamente me pediu em casamento.


Eu aceitei, é claro! E naquele dia, inauguramos um ritual fofo que se repetiria por muitas vezes sem perder a magia. Para cada nova caixa de leite, um novo lacre, um novo anel, um novo pedido de casamento, um novo leve e divertido sim.


Foi por isso que, naquele jantar especial da véspera do meu aniversário, ao sair do banho, encontrei na minha cama uma caixinha de anel com um lacre de leite e uma cartinha fofa cheia de referências ao filme “Up – Altas aventuras”.


Meu coração foi à loucura e eu saí do quarto ainda de toalha exclamando: “A aventura está lá fora!” E, logo depois de me arrumar, com o coração ansioso passei o caminho todo tentando descobrir onde meu amor estava me levando.


Chegamos. Restaurante com jazz não é nem restaurante: é o céu mesmo. Jazz tocando, flores e velas à mesa, comida e vinho. E eu nem desconfiava porque Luís é sempre atento aos detalhes. Nem o suor escorrendo em bicas no rosto dele me fizeram desconfiar.


Até que tocou a minha música favorita e ele me contou que não era coincidência. Um mini pânico, uma pausa respiratória, meu coração podia explodir. Quando vi, ele estava ajoelhado no chão, quando vi as velhinhas da mesa ao lado estavam emocionadas, quando vi… Um bilhetinho ao lado das alianças dizia: “Hoje eu te dei o último anel de leite. Casa comigo, mozenta!”


E eu não fui nem besta: casei.

(Autoria: Talita Prato, a mozenta!)

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

2 comentários em “As peripécias do Casalzinho Bacana #02

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