O Torcedor #05

CAMISA DA SORTE I

“Alô?”

– Alô, mano?

– Fala mano!

– Onde você está?

– Estou em Brasília. Eu te falei que viria esta semana para um congresso científico.

– Você está assistindo ao jogo?

– Acabei de ligar a TV no quarto do Hotel. Cheguei de uma palestra agora. O jogo já está nos 15 minutos. Estamos perdendo de 1 a 0, poxa!

– Só quero saber uma coisa. Você está usando a camisa da sorte?

– Ops! Não a trouxe.

– Mano… Sério… Não acredito! Você esqueceu a camisa da sorte?

– Ela estava no cesto de roupa suja. Não deu tempo de lavar.

– (suspiro) Mano… Perdemo!

– Eu trouxe outra que comprei na promoção da loja. Da coleção do ano passado. Vou vesti-la agora.

– Já vestiu?

– Pronto. Paramentado.

– Ok, vamos ver. Estamos correndo o risco.

– Já começou a melhorar, falta para o nosso time perto da área.

– Mas a falta foi dura. O nosso 10 não levanta. Ah, não! Ele se machucou.

– Puxa vida, o melhor do time.

– Mano…

– Ainda tem a cobrança de falta.

– O 10 era o nosso batedor.

– Bateram a falta na barreira.

– Mano…

– Xiiii, o nosso lateral não marcou, deixou uma avenida.

– Mano, mano…

– Eita, gol deles.

– Tira essa camisa agora , mano! Nunca mais a use em dias de jogos. E hoje você vai assistir ao jogo pelado.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

2 comentários em “O Torcedor #05

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