P.I.S.T.A. #04

È vero! VERÍSSIMOS

Olá caro leitor do outro lado da telinha! Hoje desejo ter uma prosa pra “sortá” um trem acumulado.

A alegria não cabe dentro de mim!

O atleticano que se preza conhece a história do Brasileiro de 1971. Eu não era nem nascido e conheço a história (com a ajuda de papai e também do Google). Naqueles idos, o Atlético, o São Paulo e o Botafogo disputavam o triangular final do campeonato. O Atlético havia vencido o São Paulo por 1 a 0 em Belo Horizonte no estádio Mineirão com gol de falta do lateral esquerdo Oldair. No Maracanã, no dia 19 de dezembro de 1971, Dadá Maravilha parava no ar para ficar na história do Clube Atlético Mineiro. Dario Peito de Aço marcou o gol e o Galo venceu por 1 a 0 o Botafogo, sagrando-se campeão do primeiro Campeonato Brasileiro.

Todo torcedor do Galo já ouviu pelo menos uma vez na vida a narração de Vilibaldo Alves contando a emoção nos instantes finais do jogo.

“Quareeeeeenta e cinco minutos! As lágrimas correm em minha face, a alegria toma conta de mim.”

Pois é esta frase emblemática de Vilibaldo Alves que me descreve neste momento.

Não, meu caro leitor, não é por causa do Galo (que anda devendo para o seu fanático torcedor, ê Galo!).

É por outro motivo. A alegria toma conta de mim.

O caro leitor que acompanha este humilde blog sabe que aqui existe um personagem chamado detetive Ted Rocky. Deve saber que este que vos escreve tem forte influência de Luís Fernando Veríssimo, o mestre das narrativas curtas. E, se tiver mais conhecimento ainda, sabe que uma das obras-primas de Veríssimo é o detetive Ed Mort. Ed Mort tem livro, já virou quadrinhos e até filme (o ator Paulo Betti fez o papel do detetive).

O meu Ted Rocky é uma personagem inspirada na obra-prima do Xará Veríssimo. Obviamente, Ed Mort é um cavaleiro de Ouro, criado pela genialidade de Luís Fernando Veríssimo. Ted Rocky é um cavaleiro de Bronze (alguém pegou a referência de Saint Seiya aí? Se sim, vou ficar emocionado!), pertence a um universo paralelo. O universo da minha cabeça. É como um filho que admira o pai. Talvez essa seja uma boa definição.

Ô Luis, que suspense, sô!

Sim, faz parte da trama. É marketing. Aprendi lendo livros, assistindo filmes e séries. As melhores histórias são as que deixam o leitor ou espectador em tal envolvimento que ele mesmo começa a especular o final.

Nesta história, você saberá no final porque a alegria não cabe dentro de mim. Pode ser que até se frustre, pode até achar que foi banal. Mas para mim, foi sensacional!

Preciso dizer que tudo se passou por causa de uma atitude. Tudo começa com uma ação corajosa. Apesar do medo, você vai lá e faz.

“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.” Veríssimo, Luís Fernando. (Ok, ok, citei o Xará aleatoriamente para causar mais impacto, mas a frase se encaixa no contexto, acompanhe!)

Vou citar também o que a escritora Elizabeth Gilbert, a autora do best-seller “Comer, rezar e amar” (mulher porreta!), disse em outro livro chamado A Grande Magia (mais um livro indicado pelo Murilo Gun, cabra bom!): o medo é chato.

O medo como reação fisiológica é necessário para a sobrevivência. Você não vai colocar a mão em um escorpião, em uma serpente ou em uma aranha. Pois sabe que esses animais podem ser venenosos e, por se sentirem ameaçados, podem te atacar (aliás, não mate esses bichos, “tudo que move é sagrado”, já dizia o músico Beto Guedes).

Mas o medo em excesso é um problema. Ele te paralisa. Você não cumpre com o princípio básico para fazer as coisas acontecerem: ir lá e fazer! Princípio do “faça alguma coisa”, bem explicado no bom livro de Mark Manson “A sutil arte de ligar o F*da-se”.

Elizabeth Gilbert disse no livro A Grande Magia que medo e criatividade são irmãos gêmeos siameses e fez uma analogia interessante que reescrevo aqui com minhas próprias palavras.

Imagine que você esteja em um carro fazendo uma longa viagem. Neste carro estão você e os irmãos gêmeos, medo e criatividade. Em uma viagem saudável, você é o motorista, a criatividade está ao seu lado no banco da frente e o medo no banco de trás. Numa viagem saudável, você negocia com o medo dizendo que ele só pode ir junto se permanecer quietinho no banco de trás, com o cinto afivelado, dizendo o mínimo possível, de preferência monossilábico.

Isso impede que o medo tente sentar no lugar da criatividade ou, pior, assumir o volante. O medo é assim, bem inconveniente e cheio de artimanha. Como a gêmea Raquel ou a gêmea Paola Bracho. Ou o gêmeo Kanon.

Quando a viagem segue desta forma, você tem o espírito da criatividade sendo seu copiloto.

Um dia, caro leitor, acordei com uma ideia na cabeça. E sou assim, quando aparece a ideia preciso escrevê-la. Já acordei de madrugada para escrever algo que pensei ser importante (como este texto que foi escrito às 05:30 da manhã).

A ideia era a seguinte: escrever uma crônica em que os detetives Ed Mort e Ted Rocky se encontram. Um cross-over. Uma espécie de “Aranhaverso” (aquele filme em que várias versões do Homem-Aranha se encontram).

Escrevi a ideia. Não tinha a intenção de publicar a história. Foi para meu divertimento. Só que depois, o irmão gêmeo copiloto da viagem soprou no meu ouvido. “Por que não tenta enviar esta história para o próprio Luís Fernando Veríssimo?”

Seria uma forma de transmitir o meu respeito e a minha admiração ao mestre Luís Fernando Veríssimo. Bem, pelo menos na minha cabeça, isso seria uma homenagem.

Mostrei a história para um grande amigo, o Filipão, que também é fã de Luís Fernando Veríssimo. Ele curtiu.

Mostrei também para minha esposa. Ela adorou.

Contei para ambos o meu plano de enviar a história para o Xará Veríssimo. Também gostaram da ideia.

Então, o caro leitor pode imaginar o que aconteceu. Bolei uma forma de enviar a história para o homem. O mestre. Enviei e-mail para o jornal em que Luís Fernando Veríssimo é colunista. Pedi para que eles fossem os intermediários desse contato entre um fã e o seu ídolo. Para minha sorte, eles toparam.

O irmão gêmeo medo, claro, soltou uma das suas: “Vai perder seu tempo!” Talvez a mais cruel tenha sido: “Ele vai achar que você o plagiou.”

Esta última quase me bloqueou. Não é e nunca será a minha intenção abusar da propriedade intelectual de Luís Fernando Veríssimo. O meu personagem detetive Ted Rocky é inspirado no lendário Ed Mort. São parecidos, mas não iguais. Invoco os princípios criativos  de Austin Kleon em “Roube como um artista”! Amém?

Sorte que o medo estava bem afivelado no banco de trás.

Princípio do “faça alguma coisa”. Escrevi uma carta contando a história. Enviei o e-mail para o jornal. No mesmo dia, eles me responderam dizendo que encaminharam o pacote para o destinatário.

Ansiedade. Será que enviaram mesmo? Será que ele vai ler?

Chegamos no clímax.

O homem, o mestre, o cara. Luís Fernando Veríssimo, torcedor Colorado, ele mesmo, ele mesmo caro leitor.

A alegria não cabe dentro de mim. Minha esposa é testemunha da reação que tive ao ler aquele e-mail.

Ele recebeu a minha carta. A carta foi lida para ele. A filha, Fernanda Veríssimo foi quem me respondeu. Adoraram a minha mensagem! Ela me contou que o pai está se recuperando de um AVC que sofreu em janeiro (ai, caramba, eu não sabia!). Mas está se recuperando muito bem e em breve voltará a escrever para o nosso deleite.

Aproveito para novamente enviar as minhas energias positivas para o meu Xará Veríssimo e desejo que os seus dias sejam de alta vibração e de superação das atribulações. Amém!

Que gentileza da parte dos Veríssimos! Reitero por aqui a minha gratidão por ter a oportunidade de transmitir a mensagem de respeito e admiração ao grande Luís Fernando Veríssimo.

Foi como um sonho realizado. A mensagem de Fernanda está marcada com estrela na minha caixa de entrada. Volta e meia eu releio o e-mail e me emociono again

E este é o final da aventura!

Muita saúde e vida longa a Luís Fernando Veríssimo.

“A alegria toma conta de mim.”

Ah, Vilibaldo! Talvez uma emoção assim para mim só quando eu puder ver o Galo campeão brasileiro! Talvez!

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

2 comentários em “P.I.S.T.A. #04

  1. Sou testemunha de todo o processo, desde a ideia do conto até o envio do e-mail e o recebimento da resposta. Cada passo foi emocionante. Amo ver você alegre, amo ver você criar e colocar para fora a beleza que tem aí dentro. Que bom que o seu ídolo pôde saber que você existe e o admira e que se inspira nele. Agora o galo vencer o brasileiro é que está complicado… Kkkk mas vai que…

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