P.I.S.T.A. #05

O CAMINHO

Olá caro leitor do outro lado da telinha! Hoje tem Prosa Inventiva (pra) Sortá (os) Trem Acumulado.

Você sabe o que é P.I.S.T.A.? Nããão? Quer saber? Eu explico no primeiro post desta categoria. Dá uma olhadinha lá!

Em uma outra prosa (P.I.S.T.A. #02) eu citei um dos caminhos que me ajudaram a atravessar o poço e enfrentar os leões da cova. O Pathwork. E, literalmente, Pathwork significa caminho. 

Eu costumo dizer que frequentá-lo foi um divisor de águas na minha jornada. Um “click”. 

Conheci o Pathwork por meio da minha esposa. Ela conheceu por meio da prima. E assim formou-se a rede de conhecimento. Era uma época em que eu me identificava completamente com o ego. Eu era os meus pensamentos e estava fortemente ligado à autoimagem idealizada de ser perfeito. 

Foi nas sessões do Pathwork que conheci o terapeuta Luiz Alberto, pessoa pela qual nutro admiração e gratidão. Até hoje me ajuda.

Mas vamos lá. Vou falar um pouco do que entendo sobre o Pathwork e os livros que tem a ver com o assunto, caso o caro leitor se interesse em ler.

A primeira coisa para quem quer entrar neste caminho: o Pathwork não é religião, seita ou qualquer coisa que se encaixe nessas definições. Eu o entendo como uma ferramenta para evolução pessoal. Um tesouro deixado, um mapa da mina. A história conta que os ensinamentos do Pathwork vieram por um Guia de níveis mais sutis da consciência, chamado de o Guia do Pathwork ou simplesmente Guia, e traduzidos por Eva Pierrakos que escreveu as palestras sobre os diversos temas. O livro que introduz este assunto se chama “O Caminho da Autotransformação”, da própria Eva Pierrakos. Um tesouro, meu caro leitor. Convido a conhecer. Não é doutrina, não é aliciamento. É um convite para expansão da consciência.

Seguindo aqui, o caro leitor deve perceber que a lamparina para iluminar este caminho é desenvolver o autoconhecimento. 

Antes de entrar nessa jornada, eu tinha uma pequena noção sobre autoconhecimento que era muito superficial e até depreciativa. As informações que tinha e, talvez o caro leitor também deva ter esta percepção, era que autoconhecimento era um dos tipos banalizados de autoajuda e isso foi tão banalizado que começou a ser taxado de “baboseira” ou como um amigo diz “prosopopeia para acalentar bovinos”. 

Permeava na mente racional do ego: “Autoajuda, autoconhecimento, isso é para quem é fraco. Para quem não é produtivo. Uma perda de tempo. Uma frescura. Apenas seja perfeito em tudo para ter os melhores resultados. Rejeite o erro.”

O que meu ego omitia (ou não sabia) é que não há crescimento se não houver processo.  Buscar ser melhor que ontem é sadio. Não há nada de errado em buscar aquilo que nos enobrece e torna nossa vida mais bela. Mas a obsessão pelo perfeccionismo pode levar a uma loucura. Por isso, autoajuda e autoconhecimento são essenciais para o crescimento do ser. Autoajuda é amar a si mesmo, é desenvolver autorrespeito, saber dizer “Não” quando você não quiser fazer algo.  É não buscar aprovação do outro e não buscar agradar a todos a todo momento. Enfim, é se colocar em primeiro plano (eita que aqui tem pano pra manga, pois se colocar em primeiro plano pode soar como egoísmo e foi assim que pelo menos eu escutei durante anos da minha vida doutrinada e condicionada por crenças limitantes; quem sabe eu escreva sobre isso outro dia).

Voltando ao tema da P.I.S.T.A. de hoje, vou invocar mais um aprendizado que considerei muito massa vindo de Murilo Gun (falo muito dele aqui não é? Insto ao caro leitor que procure conhecer o cabra!). Naquela aula, Murilo fez um esquema de como as ideias criativas surgem. Imagine como um ciclo industrial: há a entrada da ideia (Input), depois o processamento da ideia, logo após o resultado obtido (output), e por fim (o pulo do gato) o feedback. 

Faço analogia com o crescimento pessoal. Isso para mim, explica bem o que é o autoconhecimento. Não é só uma batalha homérica pelo resultado, algo que o ego se apEGA (interessante a palavra APEGO tem EGO na sua composição). O feedback ou retroalimentação é a consciência do que é o resultado obtido com aquelas ideias que entraram. Ali mora o aperfeiçoamento pessoal, mas não para a forma ao qual o ego se apEGA. Um aperfeiçoamento no nível das ideias, no nível sutil.

Está dando para entender? É tanta coisa que quero escrever que se torna um desafio! 

Pois bem, vamos lá que o papo está na metade (será que te animei?). Em suma, o Pathwork mostra que o Ser Humano possui uma gama de Eu’s.  Vou citar os que eu penso ser os principais. O Eu Superior, o Eu Inferior e o Eu Máscara. 

É possível inferir sobre eles, não é mesmo? O Eu Inferior é a nossa sombra, a nossa parte distorcida que emana energia de baixa vibração. O Eu Superior é sua antípoda, a parte da centelha divina que emana energia de alta vibração. O Eu Máscara, esse danado, é a parte mais desafiante. São as nossas defesas, carapaças, a casca, a parte mais superficial, o Falso Eu. A máscara não quer sair do lugar. Com ela, estamos completamente dormentes. Quer te fazer acreditar na autoimagem idealizada. Idealizada por quem? Pelo ego. Inclusive, eu entendo que a Máscara é parte do Ego.

Para melhor compreensão dessa parte sobre os “Eu’s” que o Pathwork ensina sugiro ler o livro de Patrícia Gebrim, “Gente que mora dentro da Gente”. Uma leitura muito gostosa e muito enriquecedora. No final, se houver interesse em ler, o caro leitor entenderá que a ideia é integrar todos os nossos “Eu’s”, pois todos somos nós. Não é possível destruir nenhum deles ou querer se tornar apenas um deles. Precisamos nos acolher. Como diz a minha esposa Talita (ela é mestre em inventar palavras e eu adoro isso!), “interesseba”, não é? Para efeito didático, “interesseba” quer dizer interessante. 

Ok, temos uma noção sobre a nossa sopa de “Eu’s”. Agora o trem fica um pouco complexo. O Guia do Pathwork diz que temos três personalidades básicas: a da Emoção, a da Razão e a da Vontade. Todos nós temos essas facetas, variando o grau de cada uma. Obviamente, o equilíbrio entre elas é o que buscamos. Se um sobressair sobre os outros, teremos distorções. Às vezes, uma personalidade atua quando outra deveria ser a protagonista. Enfim, o trem é complexo.

Daí, o autoconhecimento é tão importante para despertar a consciência sobre essas distorções. E elas estão aí, meu caro leitor do outro lado da telinha.

Agora vou tentar descrever essas personalidades que o Pathwork mostra e que estão misturadas na sopa do nosso Ser. 

A personalidade da Emoção tem a energia positiva emanada pelo Eu Superior vibrando na frequência do Amor. A face que tem energia negativa emanada pelo Eu Inferior vibra na frequência do Medo. A Máscara da personalidade da Emoção é a submissão ( o famoso “bonzinho”, que não quer contrariar ninguém e ser amado por todos). Nota do autor: eu era exatamente assim. Um bonzinho inveterado.

A pessoa que pende a balança para o lado Emocional tende a ter boa intuição e “sentir” mais as coisas, porém em excesso tem também a tendência de perder o controle da vida, faltando-lhe confiar mais na dádiva do pensamento, do raciocínio. O excesso de “sentir” pode dar uma falsa imagem de ser muito espiritualizado. Porém, a espiritualidade tem mais a ver com o equilíbrio do Ser em todos os seus sentidos para estar apto à expansão da consciência do que ser dotado de apenas boa intuição (bom, é o que eu estou entendendo). A Razão e a Vontade atuam nas emoções desmedidas, meio que puxando uma rédea. Se elas não forem bem desenvolvidas, a torrente de emoções pode ser muito destrutiva para si mesmo e para quem estiver ao redor.

A outra personalidade que o Guia fala é a da Razão. Vibrando alto, esta personalidade fica na frequência da inteligência, intelectualidade, a nossa dádiva de pensar que tem a energia positiva emanada pelo Eu Superior. A energia negativa da Razão emanada pelo Eu Inferior vibra na frequência do orgulho (só eu que sei, você não sabe nada). A Máscara da personalidade da Razão é o afastamento (lembro da famosa frase de Dona Florinda “não se misture com essa gentalha”).

A pessoa rotulada como racional tende a negligenciar as emoções. Considera-as sem sentido e uma fraqueza. Dessa maneira, a pessoa descambada para a personalidade da Razão tem pouca ou nenhuma intuição, pois não confia nas próprias emoções. Pesado, não é? Será que o caro leitor conhece alguém assim?

A última personalidade é a da Vontade, que tem a energia positiva emanada pelo Eu Superior vibrando no poder interno (a autoconfiança, a presença, a consciência de si mesmo e dos outros). A face oposta vibra na frequência da obstinação (que é a imposição da nossa própria vontade a qualquer custo). A Máscara da personalidade da Vontade é a agressividade (temos muitos por aí assim, não é?).  

A pessoa desequilibrada nesta personalidade é tida como poderosa, voluntariosa, até agressiva. Uma realizadora. Porém, como vimos nos outros dois tipos, o desequilíbrio de forças traz distorções. Neste caso, a vontade que segundo o Guia deve ser uma serva, torna-se a senhora. No caso ideal, a vontade deve servir à racionalidade e à intuição. No caso distorcido onde há a predominância da Vontade, a personalidade perde o foco, julgando-se o único capaz de realizar as coisas. A busca pelo resultado tende a deixar a pessoa com excesso de vontade impaciente o que nebula todas as outras faculdades.

Bom, caro leitor do outro lado da telinha, a prosa ficou muito extensa. Aqui só deixo algo bem superficial e um pouco do que eu entendo sobre o Pathwork. Não sou nenhum mestre ou facilitador e se o caro leitor se interessar, sugiro procurar um centro de facilitação. Talvez dependendo da época que o caro leitor estiver lendo, não é recomendável sair de casa e procurar os centros de forma presencial por causa da pandemia, então é melhor procurar alguma informação pelas redes sociais e na internet primeiro.

Trilhar o caminho depende de cada um. É um convite para adentrar a própria alma, viajar na própria autoimagem e em outras imagens idealizadas, encarar os erros e as camadas de crenças limitantes. Uma das palavras que mais escutei e li foi autorresponsabilidade. Seja mestre de si mesmo. Ninguém te conhece melhor que você mesmo. Por isso, para finalizar esta prosa (o caro leitor ainda está aqui? Gratidão, viu?!), deixo minha última sugestão de livro sobre o assunto: “O Eu sem Defesas” de Susan Thesenga. Neste livro eu considero que a autora conseguiu descrever a teoria sendo colocada em prática. Vale a pena a leitura.

Vou ficar por aqui. Até a próxima P.I.S.T.A. Namastê. Au revoir. Arrivederci.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

2 comentários em “P.I.S.T.A. #05

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