As peripécias do Casalzinho Bacana #06

RUMORES E AMORES

Já era comentado na vizinhança. O casal aparentemente não estava se dando bem.  

Às vezes era possível ouvir. Estavam proferindo impropérios um contra o outro. Mas não eram palavras de baixo calão. Eram insinuações sutis, como uma ofensa velada. 

Os vizinhos mais próximos podiam confirmar.

– Você tem um popô peludo! – dizia ele.

– Você é um marido muito canino! – dizia ela.

“Ele insinua que a mulher não se depila, chamando-a de peluda!”, comentavam uns.

“Ela o chama de cachorro, eu ouvi! Não deve ser flor que se cheire!”, comentavam outros.

“Pobre casal, tão jovem e já brigando assim?”, decretavam todos.

O que omitiam ou não ouviam por se ocuparem com os pensamentos, é que os impropérios eram acompanhados de risadas. Talvez mais abafadas por causa de um abraço apertado e um xamego no pescoço.

Mal sabiam que a expressão “popô peludo” era um dos elogios mais bem ranqueados na lista de elogios do casal. Principalmente para ela que trouxe esse dialeto para a realidade dele.

E também não compreendiam que a expressão “marido canino” possui nível de alta apreciação na escala de classificação de maridos.

Afinal, a referência do ser de mais alto gabarito neste planeta é o cachorro. Seres amorosos, leais, companheiros, de focinhos gelados e popôs peludos. Sim, popôs são os seus rabos balançantes. A expressão da alegria. Talvez a cauda de um cachorro guarde a ananda, termo em sânscrito que significa a alegria do Ser e muito usado no hinduísmo. 

Então, indicar que uma pessoa tem popô peludo é um elogio além da conta.

Por isso, desejo que você possa ter um popô bem peludo! E ao elogiar alguém, diga que ele ou ela tem um popô peludo. Eles vão gostar. 

Depois que  lerem este texto, claro.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

2 comentários em “As peripécias do Casalzinho Bacana #06

Deixe uma resposta para talitaprato Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: