P.I.S.T.A. #11

PROSA DE UM BRASILEIRO

Certa vez ouvi de um cientista político e professor de geografia que o agente público político não deve ser amado. Diz o professor Heni Ozi Cukier (conhecido como Professor HOC) que no Brasil a política é tratada como um movimento de torcida de futebol ou de endeusamento religioso. Mistura de futebol e religião, ou seja, temas muito sensíveis. Não à toa, há uma crença que estes temas não podem ser discutidos: política, futebol e religião. Talvez por isso, costumamos misturar as coisas. Não lhe parece isto, caro leitor e cara leitora? Aqui está o link da aula do professor HOC para quem se interessar: https://www.youtube.com/watch?v=Fl3EBaZ7hOA

A paixão cega nos rouba o bom senso crítico. Foca-se na narrativa ideológica. Os assuntos ganham contornos de fanatismo, como é o caso de torcer pelas cores do seu clube do coração ou pelo seu ídolo no futebol de forma exageradamente apaixonada.

Quem é o melhor? Messi ou Cristiano Ronaldo? O canhoto ou o destro? Ninguém mais está certo a não ser que concorde comigo. Não há mais discussão de ideias, apenas a preferência pelo ídolo Messi, por exemplo. Quem tem preferência pelo Cristiano Ronaldo não presta e não entende de futebol.

Na ciência da política, os assuntos devem ser tratados com seriedade, conta o professor HOC. Não deve ser tratada como relação de paixão de torcida por uma cor ou relação de amor divino. E sim ser tratado com maturidade, com apresentação de ideias, de argumentos, com diplomacia para se chegar à melhor resposta possível de uma determinada questão que envolve interesses coletivos. No contexto do ato cívico brasileiro ocorrido nesta semana, os pensamentos permearam a cabeça e as palavras pularam para este texto. Surgiu uma prosa versada contendo fragmentos soltos e, talvez, incompreensíveis.

Brasil

Sentimento de ser brasileiro
 
Raiva, raiva, raiva.
 
O que é aquela casta em Brasília?
Onipotência?
"Aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da Lei."
 
Desilusão verde amarela.
 
Quem é o inimigo? 
 
Veste Amarelo?
Veste Vermelho?
Veste Azul?
 
Não importa a cor. 
São muitos Brasis.
 
Posso falar por mim.
Nunca antes na história deste país
Senti tanta raiva 
Direcionada a um símbolo.
 
"Vá de retro, Messiah!"
 
Controverso, não?
 
Mais controverso é o não à vida. Declarado.
 
O antagonista.
 
Representa o avesso do que entendo ser humano.
 
Estariam todos enfeitiçados?
Pessoas queridas sob o feitiço.
Estaria eu enfeitiçado?
 
O que é certo, o que é errado?
Longe de mim responder a esta pergunta.
Perto de mim reconhecer o meu sentimento. 
 
Raiva, raiva, raiva.
 
A cada dia, mais reconhecida.
 
Um cadinho no descaso.
Outro cado na empáfia e marasmo.
E um cadão na incompetência para a imunização
Contra o vírus, (da) desinformação.
 
Poderia eu pequeno influenciar algo?
Poderiam eles grandes influenciarem algo?
Aqueles do céu, do (Ney)mar, da terra?
 
Tenho herói? Preciso?
 
Mas Brasileiro eu sou. Dedicado a não desistir.
Visto preto e branco e procuro resistir.
Com resiliência.
Com expansão de consciência.
 
Mão fechada estendida em direção ao céu.
Shoryuken! Rumo às constelações. De tantas cores.
Onde mora a Origem.
 
Ainda há a voz da esperança, aquela danada! 
Sussurra. Como uma brisa de verão.
Pequeno eu sou, uma voz que não grita.
 
Ponderada.
 
Porém espera. E assume responsabilidade.
Compromisso com a própria verdade. 
 
Você tem a sua. 
 
A minha esclarece não quero os Messiah’s.
Que vestem cores primárias.
Que agem de forma primária e por vezes, secundária.
Que prometem projetos de poder.
 
Para si e para os seus.
 
Para nós, pouco se lixando.
 
“Lixamento” do coletivo.
 
“Lixamento” da Nação.
 
Linchamento da confiança
na ciência moral normativa do governo da sociedade civil.
 
Na Política.
 
Quando o país do futuro vai chegar?
No presente, me ensinam.
Como? Abrindo a mente, me orientam.
 
Primeiramente sendo independente
da polaridade e dos mililitros militantes de insanidade.
 
Afinal os opostos dão a volta
e se dão a mão às costas.
 
Quero protagonista (à procura)! 
Da vida.
 
Brasil, Brasil, Brasil!
 
Quero-o cordial. Cores harmonizadas.
 
Para ficar apenas a alma.
Una. Lugar para todos.
 
Já raiou a liberdade
No horizonte da maturidade

Pessoal?
Social?
Política?
Todas as alternativas?
Liberdade
Ainda que tarde
Da gaiola da mente unilateral.

Brava Gente!
Eles não querem abrir a porta!
E os grilhões ainda estão lá.
A guerra polarizada é lucrativa.
É interessante.
É alienante.
Gente brava das trincheiras polarizadas!
De terno e gravata!
Verborrágicos
Seborreicos.
Liberdade
Com asas
Mente livre
A bandeira da decência
Vistam
Resgatem
Pensem
Salvem o pendão da esperança.
...
Em setembro
O amarelo que me cativa é o do ipê.
Que contrasta com os campos verdes.
Um lindo verde amarelo.
Sob um céu azul.
Pontinhos de cores vivas
Como uma tela sendo pintada
Pelo pintor do universo.
Em sua sabedoria
Um lindo verde amarelo.
Em setembro
Procuramos independência
E gostaria de cantar	
A liberdade em sete dias.
Com o pano de fundo da maturidade.
Livre de polaridade.
Poético!
Simbólico.
Utópico (até me convencer do contrário).

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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