P.I.S.T.A. #16

Escrevi quase por querer

Olá caro leitor do outro lado da telinha! Hoje tem Prosa (pra) Sortá (os) Trem Acumulado. Bora viajar nessa pista.

Ouvi no rádio outro dia a música “Quase sem querer” do Legião Urbana. Música linda. Letra magnífica.

Levanto discussão sobre uma parte, quando Renato e confrades dizem que já não sou mais tão criança a ponto de saber de tudo.

Compreendi o que ele quis dizer.  Em que pese que o poeta pouco se importa com a interpretação alheia, conforme me ensinou Manoel de Barros. Mas posso me dar o direito de dizer o que penso. Liberdade de expressão. Bom, então pensei: podemos ter duas interpretações para a palavra criança neste verso, uma carrega o sentido da imaturidade. O sentido físico, cronológico da coisa. A outra carrega o sentido espiritual.

Neste ponto gostaria de discutir com o compositor, dá-me licença Renato. Gosto mais do sentido espiritual da palavra criança. Jesus se referiu a este sentido quando disse que só entraria no Reino do Céu quem for semelhante às crianças (Mateus 19:14). Criança é sábia, é pura, desprovida de olhos  julgadores. Peritas em estado de presença.

Vejam o que Rubem Alves escreveu: “ficar como criança pequena é ficar sábio. Diz Tao Te King que o segredo do sábio, a razão por que todos olham para ele e o escutam, é que ‘ele se comporta como uma criança pequena’. O sábio é um adulto com olhos de criança.” 

É, fico com Rubem nessa.

Tao Te King ou Tao Te Ching é o livro das sabedorias e virtudes da cultura chinesa atribuído ao filósofo Lao Tse. Não sei você, mas dou uma grande moral para essas sabedorias antigas orientais.

Pensando bem, talvez Renato e seus confrades tiveram a intenção de elevar o espírito criança e delegaram a ela o poder de tudo saber, portanto o poeta já foi criança e naquela época sabia tudo. Agora é um adulto cheio de medo e distorção.

Será?

Para chegar ao estado de plenitude, creio que o Eu Superior necessariamente deve estar integrado com o Eu Criança. E este Eu Criança deve estar equilibrado, acolhido, saudável. Reiterando a frase de Rubem Alves: o sábio é um adulto com olhos de criança.

Enfim, Renato, eu aprecio a obra “Quase sem querer”. Aliás é minha canção preferida do seu repertório. Decidi sobre isso neste mesmo dia que ouvi a música na rádio em estado de presença.

Logo depois vem “La solitudine”, pela melodia e por ser cantado de forma magistral por Renato. Que talento tinha este homem brasileiro que cantava também em italiano.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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