P.I.S.T.A. #17

ALERGIA A “DOMINGO À TARDE”

Domingo.

Após as dezessete horas é batata: a alergia aparece com ataques de espirros e coceiras.

Um trabalho intenso do corpo rejeitando a segunda-feira que se iniciará em algumas horas. Não se trata da segunda, e sim do que significa o dia: retorno a uma rotina não raramente estressante e fora dos planos de uma vida plena. Geralmente acomete quem não se sente satisfeito com o resultado da troca de sua moeda mais preciosa, o tempo.


Precisa ser assim? Por que é assim?

Prisão.

Asas ou gaiolas? Há uma porta aberta, diria o poeta, mas recusamos a sair.

Medo ou amor?

Medo de ser um fracasso a vista da sociedade engaiolada? Amor pelos bens ou serviços que a troca do tempo proporciona (geralmente números em contas correntes)?

Há outro ângulo para se ver? Há cura para a alergia a domingos?

Questões que um terapeuta pode resolver? Essa vida, ou o que chamamos de vida, tem que ser assim?

Uma eterna peça teatral, um drama sem fim, uma busca por autorrealização, por autoafirmação, por reconhecimento alheio e afagos no Ego?

Canções ou sanções?

Prefiro me limitar a tantas coisas na prerrogativa de ser amado que não ouço mais as canções que tocam ao meu lado.

Uso antialérgico. Alopático.

Resolve, até o próximo domingo.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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