MEMENTO MORI

Pintura Still Life with a Skull de Philippe de Champaigne (1671)

P.I.S.T.A. #21

Lucrécio (94 a.C. – 50 a.C.), poeta e filósofo romano, escreveu: “Não importa quantas gerações você viva, a mesma morte eterna ainda está esperando, e para alguém que chega ao fim da vida enquanto o sol se põe hoje, terá um período tão longo de inexistência quanto alguém que morreu há muitos anos.”

Levando em conta que o corpo é matéria e que sem essa materialização, a mente também irá se esvair. 

Particularmente, acredito que a alma, a parte que armazena as informações, toma outro veículo no momento da morte, o Espírito, e vai embora desse plano. Ocorre que o corpo e a mente se esvaem e nada fica além de um legado; a alma segue o rumo do caminho à Unidade. Conjecturo que a alma carrega todas as informações coletadas neste momento específico da História que chamamos vida, e talvez de outros momentos, outras vidas em outras dimensões neste vasto Universo. Meu intelecto limitado não é capaz de analisar nada além disso, uma coisa tão incognoscível como o Além ou o Universo.

Não há outra coisa a se fazer aqui, a não ser caminhar. No ciclo dessa caminhada, ou estamos na caixa ou ao lado dela. No fim, tudo é tingido de cinza. E fica só o legado, a fé de uma esperança que nem a própria alma irá testemunhar. Visto que esta já tomou o veículo do Espírito e corre rumo à Unidade. Libertadora! Preciso crer que é um alento.

Mas a frase de Lucrécio me fez pensar. Apreciei e estou refletindo… “Memento mori“, o que é a vida, senão uma fugaz passagem para recolher experiências. 

“O que importa?”, me perguntei quando li sobre o trabalho de Lucrécio e o sentido de “Memento mori”, frase atribuída aos filósofos estoicos: “lembre-se de que você irá morrer”. 

Trabalho em algo que não me satisfaz, algo que nem vejo mais sentido? Percebo que ninguém se importa com o que faço, ou não faz diferença nenhuma, levando a pensar sobre a dicotomia “ser útil versus ser contributivo”? Tudo parece uma fachada, um grande teatro? A serviço de quê ou para quem?

Sinto-me uma pequena máquina, repetindo procedimentos, cobrando-me de forma demasiada, sendo cobrado e executando algo totalmente sem sentido, assumindo responsabilidades (que às vezes nem são minhas), para quê? 

Para ter o dinheiro, salário, pagar a sobrevivência? Mas também, para financiar as minhas experiências? Como viajar, conhecer o mundo, sentir o sabor de comidas que nunca experimentei, contemplar paisagens, sentir o vento no rosto de outras terras, enfim ver e sentir coisas novas?

Percebo que as pessoas parecem estar aqui para duas coisas: ter dinheiro e ter poder. 

Ninguém se importa com outra coisa. Esse é o sinônimo de felicidade para minha geração.

Memento mori.”

 “O que me importa?” 

Não sei, vou me perguntar mais tarde.

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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