SOBRE O LIVRO UTOPIA PARA REALISTAS

P.I.S.T.A. #23

Deixarei alguns trechos do livro do historiador holandês Rutger Bregman que escreveu sobre um novo olhar para o desenvolvimento de políticas sociais e, por consequência, humanas. Penso que somos seres políticos, naturalmente divergentes, mas com capacidade de debater ideias.

Um preâmbulo sobre a obra. Rutger defende que o sistema capitalista é o motor do progresso, mas falha ao entrar na seara de justiça social. Para o autor, com o avanço irresistível do capitalismo, hoje temos condições de aplicar e viver a justiça social que se encontra sempre a um horizonte de distância. Dentre as propostas, Bregman propõe a renda básica universal, a erradicação da pobreza e a semana de trabalho mais curta, apresentando uma série de argumentos plausíveis, em minha concepção.

Por que não acontece, então, essa virada, essa revolução do sistema sócio-econômico? Por que não utilizar as potências de cada sistema de organização econômica que já foram testados ao longo da história da humanidade? A desigualdade social é algo que também te incomoda?

A seguir os trechos.

“Quando comecei a defender publicamente a renda básica universal, a semana de trabalho mais curta e a erradicação da pobreza, muitas vezes vieram me dizer que essas ideias eram ingênuas, financeiramente inviáveis ou até idiotas.”

“Chamar minhas ideias de “irreais” era apenas uma forma sucinta de dizer que elas não se encaixavam no status quo. E a melhor maneira de calar as pessoas é fazê-las se sentirem tolas.”

“Porém, lembre-se: aqueles que reivindicavam a abolição da escravidão, o voto feminino e o casamento entre pessoas do mesmo sexo também foram chamados de lunáticos um dia. Até a história provar que eles estavam certos.”

(Trechos do livro “Utopia para Realistas” do historiador holandês Rutger Bregman).

Pretendo continuar a refletir sobre o tema, voltando agora para o âmbito mais interior. O filósofo Richard Taylor escreveu: “Se a maneira como você vive a vida é uma resposta para como os outros queriam que você vivesse, então essa vida não é sua.”

És Criador ou Criatura? Estamos meros cumpridores de obrigações, sem escrever a própria biografia? E pior, talvez. Estamos nos tornando máquinas? Sem muito sentimento de pertencimento, apenas o sentimento da  obrigação? Essa discussão permeia minha cabeça no sentido de que se eu não tomar a minha vida nas minhas próprias mãos, se eu não tiver autocontrole e autodomínio, como posso pensar nos distúrbios de fora?

Somos, talvez, a geração do bater de metas. Não de asas.

Quem bate asas não gera o resultado econômico esperado pelo definidor de metas. O que quer esse definidor de metas, cortador de asas?

Corte as suas asas, e bata as suas metas. Ou seriam as metas deles? Se não tenho minhas asas, posso alcançar minhas próprias metas?

Somos os cumpridores de uma programação? Falta-nos autonomia para pensarmos? O famigerado Pensamento Crítico, que tantos filósofos defendem?

A máquina se isenta de criticar, apenas cumpre ordens. No máximo, dá pane quando sobrecarregada. Falta-nos mais leitura, mais educação? Mais filosofia? Um grito para se libertar da maquinação?

O fato é que a ideia de ser mais contributivo (ser sujeito), em oposição à ideia de ser mais útil (ser objeto), dança na minha mente soltando labaredas a cada rodopio. Com você é assim? Existe esse incômodo?

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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