As aventuras do detetive Ted Rocky #11

O primo

— Ted, o detetive?

— Sim.

— Preciso de seus serviços par…

— Pois não, qual o caso?

— Minha nossa, é uma urgência…

— Pois sim, sempre são urgentes.

— Não, quero dizer, agora a urgência é que preciso usar o seu banheiro.

— E o caso? Não é urgente?

— Também, por gentileza…

— Sim, sim, vejo sua necessidade. Logo ali, senhor.

Ao sair do sanitário, de mãos lavadas, o cliente arrematou:

— Um dos maiores prazeres concedidos é o de evacuar, pois deixamos de ser enfezados.

— Como é?

— Antes que possa torcer o nariz, eu argumento que é muito higiênico a limpeza de dentro. Os resíduos são empacotados dentro de um tolete de bosta, da maneira certa para o descarte. O corpo é uma máquina fantástica! De fato, como dizia meu velho pai, enviar alguém em tom imperativo ao ato de evacuar é positivo para aqueles que entendem o sentido da palavra “alívio”. Enfim, trata-se de desejar o bem estar de outrem.

— Humm.. pensamento interessante. Bem, o caso é grave?

— Sim, intestino preso.

— Perdão, refiro-me a…

— Eu sofro de constipação intestinal.

— Parece-me bem solto.

— Ah, iniciei tratamento com lactulose, meu caro. Sabor ameixa. Farmacêutico amigo me indicou e se mostrou um santo remédio, começando a fazer efeito neste momento.

— Compreendo, mas eu me referia ao seu caso, o que te trouxe aqui.

— Problema de prisão.

— Outra vez? Discutiremos apenas sobre seu intestino? Oras, pois temos um caso escatológico…

— Não, não, é o meu primo. Meu primo está preso. Injustamente, claro. Por isso preciso do seu serviço para investigar o patife que o incriminou.

— Agora começamos a nos entender. Pois saiba que Ted Rocky é a lactulose da justiça, trata de primo inocente preso.

(…)

Publicado por Luís Fernando

Desde criança tive gosto por escrever e desenhar. Quando descobri Luís Fernando Veríssimo na minha adolescência, carinhosamente chamado por mim de Xará Veríssimo (mas isso ele não sabe, ou talvez já saiba!), formou-se o tripé atômico Leitura-Escrita-Desenho. Nas andanças da vida, meu caminho se desviou um pouco dessa área, graduei-me em Farmácia. Com muita ajuda de terapia e autoconhecimento, (re)descobri ser essa a minha paixão e meu chamado. Atacar de escritor, pelo menos por aqui. Na hora de escrever, eu misturo as minhas observações de mundo com os estudos sobre filosofia, livros que li dos diversos autores que me inspiram, animes e filmes que assisti, bato tudo no liquidificador e compartilho. É bem legal! A minha intenção é que o produto do meu trabalho possa tocar a alma de outra pessoa, assim como toca a minha. Espero que você se divirta ao ler as minhas histórias como eu me diverti ao escrevê-las.

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