Em destaque

Como surgiu a ideia do blog?

Escrever para me divertir. “E se alguém pudesse ler, também se divertiria? Quem sabe?”

Sabe quando você está no piloto automático? Você tem uma rotina, tem um trabalho, tem os afazeres domésticos, mas tudo meio cinza? Nessas alamedas de penumbra que a vida nos proporciona, tive o meu contato com aquele ser sábio que habita nos confins do coração. Aquele que aparece quando as coisas estão vazias na mente. Você deve saber de quem estou falando. Se não, pelo menos uma vez na vida você ouviu essa voz, mesmo que em um lampejo. Estou falando da voz da intuição.

Nas minhas terapias (porque tive que fazer muitas terapias), fui convidado a meditar. Nada fácil para um iniciante como eu, que pensava que meditar era silenciar completamente a mente. Minha nossa, a mente é uma tagarela! Com o tempo, você percebe que não se trata de silenciar os pensamentos, mas sim de observá-los e deixá-los passar. Nesse meio tempo, algo essencial conversa com você. Vai por mim, uma coisa acontece. Tente! Ocorre uma clara contraposição entre o pensamento acelerado conduzido pela mente e uma sensação de paz conduzida pela intuição. Quero deixar claro que o pensamento, a mente que alguns conhecem como o Ego, não é algo ruim. Ela deveria ser uma ferramenta para nós e não o timoneiro. Do outro lado, a voz que habita nos confins do coração é chamada de muitas coisas. Intuição, Eu Superior, Eu Divino, Deus. Essa me parece ser a chefe, a líder da “bagaça”. Eu gosto de pensar que é a minha parte sábia, a minha parte conectada com o Todo, um Eu Superior. Mas vejam, é uma parte. Não tenho a pretensão de me comparar com nada divino. Eu gosto de ler sobre temas exotéricos, filosofias e todo o pacote zen, e pelo que entendi eu sou um ser bem complexo que veio aqui como uma ideia do TODO para evoluir a minha consciência, ou seja, sou parte do TODO. E, pelo que também entendi caro leitor do outro lado da telinha, você também é. Pelo meu trabalho de expandir a minha consciência, já ajudo na somatória de expansão de consciências no mundo. Olha que sensacional!

Então, por que fazer o blog? Lá na seção “Sobre mim” você verá que quando eu era jovem, muito mais jovem do que hoje (quem pegou a referência?) gostava de escrever e desenhar. O pequeno Luís tinha mais conexão com o sábio do coração. Contudo, penso que o caro leitor que lê estas linhas irá concordar e talvez até se identificar, o caminho se desviou um pouco. Com o passar dos anos, os condicionamentos sociais, obrigações, diploma, profissão, ser bem sucedido e ter dinheiro começaram a permear a vida do pequeno Luís. A sorte é que existem Professores neste mundo. E digo Professores com P maiúsculo, pois foram capazes, digamos assim, de encapsular a essência do pequeno Luís. Eu me lembro de duas professoras de Português, Vânia e Sônia, que incentivavam os alunos a escrever redações e a ler livros. E lá foi o pequeno Luís tomar gosto pela leitura. Lia livros da Editora Ática da coleção “Para gostar de ler” e livros de crônicas de Luís Fernando Veríssimo (se leram “Sobre mim” sabem que eu o chamo carinhosamente de Xará Veríssimo, o estilo de escrita dele é minha inspiração, acho o máximo!) Enfim, desses muitos trabalhos de Português nasceram dois personagens na época que estão neste blog. O detetive particular Ted Rocky e a abelhinha Lina.

E aqui está o porquê, meu caro leitor que já deve estar cansado de acompanhar o meu relato maçante. Fui chamado pela minha essência recém desperta daquela “cápsula” para fazer algo que me deixa em Flow: escrever e criar histórias (até me arrepiei enquanto escrevia isto). Sinto que é algo que pode ajudar as pessoas. Algo que pode melhorar o dia de alguém. Então, pensei, por que não?

Um livro que me marcou muito nessa jornada até aqui se chama “Roube como um artista” de Austin Kleon, indicado pelo mestre da criatividade brasileira Murilo Gun (se não o conhece, procure saber sobre esse cabra!) Já no começo do livro, Kleon cita uma frase atribuída a Pablo Picasso: “Arte é furto.” Basicamente ele demonstra o enunciado de Lavoisier na arte dizendo que nada é original. Ele diz: “Todo trabalho criativo é construído sobre o que veio antes.” Não sei você, mas isso faz um puto sentido pra mim.

Lá no capítulo 3, eu li: “Escreva o livro que você quer ler.” E ele continua: “Escreva sobre o que você gosta e não sobre o que você conhece.” Acho justo. Eu sou graduado em Farmácia e estou como servidor público no meu município. Poderia escrever sobre muitas coisas técnicas da área, pois tenho conhecimento. Entretanto, não quero. Quero escrever sobre as aventuras de um detetive particular brasileiro que desvenda casos dos mais inusitados em meio a uma crise econômica ou escrever uma fábula que contém uma mensagem mais profunda sobre autoconhecimento e filosofia tendo como protagonistas uma vovó abelha chamada Rita Bee e sua neta Lina Bee ou ainda escrever sobre as peripécias de torcedores de futebol apaixonados pelos seus times. Sobre isso eu gostaria de escrever. E foi o que eu fiz.

Para finalizar o meu raciocínio (prometo que estou acabando), Austin Kleon diz: “Faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas.”

Eu não saberia dizer se o caro leitor julgará o meu trabalho bom, se o conhecer. Tudo bem! Para mim, ele é desafiante, há falhas e há melhorias. Criar e alimentar este site/blog é um desafio. Começar a escrever foi um desafio. Encorajado pelas passagens do livro do Austin, foi durante um fim de semana em Lavras Novas com minha amada esposa Talita, tomando um vinho em um chalezinho (Lavras Novas é um belo lugar, tem uma energia muito gostosa, eu recomendo) e também encorajado por ela que eu comecei a escrever os contos enterrados no fundo da cabeça criativa do pequeno Luís com uma nova roupagem. Ressurgiram Ted Rocky, a abelhinha Lina e outros personagens que já estavam lá no arquivo da mente.

O “como” compartilhar foi iluminado pela minha prima Luanda em uma conversa casual, dias depois. Quando eu disse a ela que começara a atacar de escritor ela perguntou: “Você tem intenção de que as pessoas vejam? Se sim, eu sugiro a você criar um blog.” Pronto, olha eu aqui!

Enfim, penso que o trabalho começa a se tornar bom na medida que eu sinto o aumento da minha vibração e entro em Flow. Ao deixar a minha energia vibrando alto, eu me ajudo e por tabela ajudo quem está ao meu redor. Eu acredito nisso.

Se você leu até aqui, gratidão. Aproveito o momento para prestar gratidão às minhas professoras, à minha prima, à minha esposa e a todas as pessoas que me ajudaram na minha jornada.

Eu sou o Luís Fernando Gurgel e escrevo aqui no CrônicaBox. Faço votos que você do outro lado da telinha se divirta.

Às companheiras e aos companheiros, formandas e formandos holoterapeutas

P.I.S.T.A. #30

Meus caros companheiros, teci algumas palavras para este momento da nossa microrrede de conexão que é parte da Grande Rede do Universo. Para escrever este texto, segui a ideia da Talita. Ela sugeriu falar sobre a missão daqui pra frente, agora formados terapeutas. O assunto me tocou e as linhas para costurar esse retalho na colcha de nossas vidas foram aparecendo. Inclusive, deixo a palavra aberta para a Talita e os demais colegas se manifestarem quando quiserem.

A linha que primeiro entrou na agulha foi a ideia da missão que temos com nós mesmos. Ouvimos por diversas vezes do nosso mestre Luiz: o terapeuta deve andar pelos próprios caminhos escuros, ou seja, ele próprio deve experienciar a sua sombra para depois de assimilada, escutar e ver a sombra de outrem.

Portanto, a mudança necessariamente tem que acontecer dentro da gente primeiro. Este curso foi uma luz para o nosso avesso. A jornada foi de autodescoberta e chegamos a lugares nunca antes visitados no nosso porão (ou sótão, como queiram) escuro. Arrumar aquela desordem, limpar o pó acumulado por cima de mobílias do inconsciente coletivo, de estruturas arquetípicas e principalmente, retirar o pó do espelho que acumulou tanta sujeira. Não nos reconhecemos. E esse desconhecer quem sou é o primeiro passo para a libertação interna. Com coragem, passo a perguntar para aquele que vejo: quem é você? Acredito que todos os companheiros passaram por algo semelhante e repercutem até hoje essas conversas internas, e quiçá, repercutirão enquanto caminharmos por esta terra, pois o autoconhecimento é uma missão constante. Cumpre-se uma etapa, e outra já se alvorece. Sobe morro, desce morro, como Sísifo rolando as rochas pelas montanhas.

Sísifo, segundo a mitologia, foi o homem castigado pelos deuses a cumprir a labuta de eternamente carregar uma rocha até o topo da montanha, para vê-la descer ao final do dia e ter que recomeçar o ciclo. O filósofo Albert Camus em sua obra o mito de Sísifo, conclui que devemos imaginar Sísifo feliz. Um paradoxo que é possível de explicar, porque fazemos isso todos os dias. A jornada é o que importa, não é o final dela. O coração se fortalece a cada descoberta, a cada rolar de rocha morro acima. E como a missão do autoconhecimento é, sem dúvida, constante (pois somos uma contradição ambulante), a rocha desce com toda força da gravidade. Porém, para aqueles que são como Sísifo, estes descem pelo vale enfrentando os desafios dos pêndulos emocionais e ressurgem mais uma vez, como Fênix que se deixa queimar para renascer das próprias cinzas.

É assim, meus caros, que vejo a primeira (e mais importante) etapa da nossa missão perene. Uma mudança interna, pequena que seja, de cada vez. E, assim munidos dessa consciência, vem a próxima etapa, a linha que trespassa o pano e cria forma: a ação. Percebam que é possível e talvez realístico, que perambulamos entre estas etapas. Hora bem munidos de consciência, outra no abismo da depressão. Como eu disse, somos contradições ambulantes, porém o exercício do autoconhecimento fortalece nossa mente e tendemos a permanecer menos tempo no fundo da caverna escura (chamo de flexões de mente).

Vou invocar a força do mestre do essencial, o escutador de essências Rubem Alves, para me ajudar a costurar essas linhas na colcha.

Certa vez, ele escreveu: “Vou plantar uma árvore. Será o meu gesto de esperança. Mas o mais importante de tudo: ela terá que crescer devagar. Tão devagar que à sua sombra eu nunca me assentarei. O primeiro a plantar uma árvore à cuja sombra nunca se assentaria foi o primeiro a pronunciar o nome do Messias”.

Eu me peguei pensando nos gestos de caridade que fazemos. Mas digo os gestos genuínos, aqueles que você faz sem que ninguém precise saber, aqueles em que ocorre uma satisfação interna, entende? Sem gerar o sentimento distorcido de superioridade espiritual ou o discurso oculto da mente “faço porque sou obrigado senão minha alma sofrerá pela eternidade” ou ainda “faço para que me reconheçam como bom”.

Enfim, retomando a caridade genuína. Eu identifiquei que mesmo gerando um sentimento de satisfação, algo ainda fica solto como se lá no fundo, uma voz “espezinhante” dissesse : “Isso não vai mudar nada, seu tolinho!”

Essa voz que espezinha quer mudar o mundo inteiro. Agora! Quer acabar com a fome de todos no mundo, quer acabar com as desigualdades sociais em todo o mundo, quer ver todos seres humanos evoluindo juntos como espécie (pra quem é mais científico) e como irmãos (pra quem é mais holístico). Quer plantar a árvore e assentar na sua sombra.

Aí a frase do Rubem Alves mexeu comigo.

“O primeiro a plantar uma árvore à cuja sombra nunca se assentaria foi o primeiro a pronunciar o nome do Messias”.

A mudança começa é no pequeno mesmo. E acreditando que a pequena mudança é o anúncio de um sonho de dias melhores.

É no nosso microcosmo de convivência que tudo começa. E o primeiro estágio deste microcosmo somos nós mesmos. Arrisco dizer que só passando pelo primeiro estágio é que vou estar apto a pronunciar o nome do Messias, a fazer caridade genuína e falar sobre o amor genuíno. Quando mudo dentro, mudo fora. Por isso que acredito, primeiro o meu foco é na mudança interna. Pois a minha mudança vai se refletir em atos e reverberar no exterior, mais precisamente no meu microcosmo de convivência. E por essa linha, acredito que podem ocorrer pequenas mudanças na família, nos amigos queridos, nos colegas de trabalho, num departamento, e por aí vai. Mais pela mudança da própria percepção das coisas do que pelos outros.

Daí a ideia do legado. A frase de Rubem Alves me transmite a ideia de que tudo está conectado. A vida está entrelaçada como numa rede. A nossa colcha de retalhos, a nossa microrrede de conexão. A relação ser humano e natureza. O propósito de cada um é deixar um legado. Deixar algo de valor para outra pessoa. No gesto simples de uma caridade. Nos gestos de amor genuíno. De dar um sorriso e bom dia para quem trabalha contigo. De agradecer pelos serviços prestados de quem serve. No gesto de preservar a natureza. De amar a natureza. Plantar a árvore e vê-la crescer devagar, na esperança de que a sombra possa ser usufruída por crianças de uma geração vindoura.

O pequeno gesto de agora, por mais que possa parecer inútil segundo aquela voz “espezinhante”, pode ser a semente de uma árvore frondosa. Talvez não nos assentaremos na sua sombra, mas outros poderão se sentar ali. Talvez construam balanços para as crianças brincarem. E eles estarão melhores por aquela árvore estar ali, plantada por nós, os que vieram antes.

Vejam que bela missão! A terapia permite realizar todas essas coisas. E acrescento que apenas pelo caminho do autoconhecimento e de abraçar a verdade que é a dinâmica da vida (“vida é movimento”), poderemos realmente encará-la. Pois assim como a missão é cheia de intempéries, também é a vida: cheia de mudanças. Por isso a missão é constante. E a linha continua a cozer a nossa colcha de histórias…

Cito uma frase do imperador e filósofo Marcus Aurelius, um dos grandes da linha filosófica do Estoicismo (eu tenho atração pelas ideias estoicas, considero o Estoicismo o Manual de Boas Práticas da vida). Nesta frase, Marcus Aurelius versava sobre o Amor Fati. Vejamos:

“Assustado com a mudança? Mas o que pode existir sem ela? O que está mais próximo do coração da natureza? Você consegue tomar um banho quente e deixar a lenha como era antes de queimar? Comer alguma coisa sem transformá-la primeiro? Qualquer que seja o processo vital, será que pode ocorrer sem que algo seja alterado?

Não percebeu? É o mesmo que acontece com você – e é vital para a natureza.”

Encontrei a definição de Amor Fati no material que recebo do Joaquim, um estudador e conhecedor de filosofia dos bons (ele tem um perfil de filosofia no Instagram chamado Horizonte Ampliado e trocamos mensagens em um grupo de filosofia no Telegram). “Amor Fati é a prática de aceitar e abraçar tudo o que aconteceu, está acontecendo e ainda está para acontecer. É entender que a natureza do universo é a mudança e que, sem as mudanças, não existiríamos, nossos relacionamentos não existiriam, não riríamos, choraríamos, amaríamos, criaríamos ou cresceríamos. Não experimentaríamos nada disso.”

Na mesma linha prática, o nosso conhecido Viktor Frankl escreveu:

“Você não pode controlar o que acontece com você na vida, mas sempre pode controlar o que sentirá e fará sobre o que acontece com você.”

É assim que usamos os conceitos da filosofia e terapia. (Às vezes penso que se confundem). Não exercer mais controle sobre o mundo, mas assumir a responsabilidade de como o vemos e respondemos a ele. Ter essa percepção aguçada e assimilada, torna-nos aptos a dedicar a outra etapa da missão: passar para os outros o que temos assimilado dentro. E assim, penso eu, conseguimos ser terapeutas dentro e fora. Seguimos a jornada, subindo e descendo a rocha pelos morros da vida.

Como disse Marcus Aurelius:
“Aceite as coisas às quais o destino o prende e ame as pessoas com quem o destino o une, mas faça isso de todo o coração.”

Continuemos costurando a nossa colcha, com os retalhos de todos que passam pelo nosso caminho, honrando e respeitando os saberes que cada um deixa conosco (não há saber maior ou menor, há saberes diferentes, como aprendi com o Rios) e que nos ajuda a enriquecer nosso ser, ampliar nossa consciência. E a linha que mantém a colcha da vida unida, a Grande rede do Universo é o Amor. Cultivemos o Amor.

Finalizo com uns versinhos meus:

Gaita que sou
Sopro divino passa por mim
E eu faço melodia
E eu faço poesia
E eu faço…

Isso é a vida
Orientar divino ar
que passa por entre rochas ancestrais

Pelos (des)caminhos, o avesso é mais intenso.


ECOS DE OURO PRETO

O Barbeiro de Plantas #39

Na cidade histórica.
Histórias da cidade contam
que as escadas falam.

Basta subir em Casa de Gonzaga,
em Museu da Escola de Farmácia.
Ouvir um silêncio: gemem as escadas.

Declamam poesias de outrora e de agora.

Entoam cantos de liberdade
e de diversidade.

Itacolomy, do tupi 
Pedra menino.
Levante!
Filho da terra!

Arte que resiste às passagens de areia.
Ampulheta do tempo que não tem volta.

Arte que forma posições.
Opiniões e transgressões.
Temor dos poderosos (pensam que são).
Mandatários das opressões 
que dependem da desigualdade de milhões.
...
Igreja São Francisco de Assis, 
obra grandiosa à qualquer vista.
Dois artistas assinaram imortalidade.

Aleijadinho fincando na pedra,
na madeira, na carne, na terra.
Talhou orgulho e beleza
Maestria e destreza.
Para quem dúvidas tinha de sua desenvoltura,
Maior se tornou na suprema arte da escultura.

Mestre Ataíde pintando teto, parede, relíquia.
Vejam que nem se deu conta a Irmandade:
Em meio a Ceia e Lava-pés
uma sutil referência de rebeldia
(Contei treze apóstolos ao redor do Messias, seria Maria?)

(A graça da arte é essa
Devaneios meus
Crio intenção, sem pressa
Ecos de Ouro Preto...)

Temporada de amarelo

O Barbeiro de Plantas #38

O amarelo berra,
colore paisagem monótona.

Flores captam o Sol
e douram a cidade,
feito criança em tenra idade.

Vou fazer uma faixa
para dependurar no poste do centro.

Homenagem aos trabalhadores, dipsersadores e polinizadores:
Borboletas, abelhas e beija-flores.

Parabéns pelo belo trabalho!

Ipês brotam para todo lado.

AS CAMADAS QUE ME FAZEM CHORAR

P.I.S.T.A. #29

Frequentei um grupo de Pathwork e ali muitos estalos foram me ocorrendo. Foi a partir dali também que passei a me interessar mais em filosofia e estudos sobre autoconhecimento. O Pathwork, que significa literalmente “caminho”, tornou-se uma ferramenta para evolução pessoal onde foi possível realizar trocas de experiências com diversas pessoas. Neste final de semana, tive a oportunidade de participar de sessões em grupo de Respiração Holotrópica, uma técnica terapêutica desenvolvida pelo psiquiatra Stanislav Grof e por sua esposa, a psicoterapeuta Christina Grof. Há muita força nas terapias em grupo, muito valor nas técnicas de respiração e foi por essas vivências que me veio a ideia de escrever este texto, mais uma prosa inventiva (prá) sortá (os) trem acumulado (P.I.S.T.A.).

As Máscaras! Todos devem saber a definição dessa palavra. Peça que cobre parcial ou totalmente o rosto para ocultar a própria identidade. Ou, um significado mais em voga da saúde pública, equipamento de proteção individual contra vírus. Mas aqui gostaria de me ater à primeira definição.

Já sentiu que não raramente precisamos vestir uma forma para nos encaixarmos nas convenções sociais? E que essa forma não é você, mas insiste em se reafirmar nessa peça que é a vida? E que essa sociedade está doente, de modo que você usa uma roupa que te deixa doente? Você usa essa máscara como reação ao ambiente em que vive? Ou uma reação ao que idealiza sobre você mesmo? Já sentiu isso?

Uso a máscara para agradar alguém? Para proteger quem?

Lá no Pathwork ouvi isto: as máscaras por nós utilizadas desenvolvidas para proteger o nosso ego são camadas que ofuscam o Verdadeiro Eu, a sua essência divina (o Eu Superior).

Nosso Eu Superior está no centro, para chegar até ele precisamos descascar essas camadas e, tal como uma cebola, muitas vezes isso vai nos fazer chorar. Pois iremos tocar nas nossas feridas e encontrar nosso lado sombra (o Eu inferior). 

As máscaras são as partes mais nocivas do nosso Eu. Elas nos deixam inconscientes e longe da Unidade e do equilíbrio. Do uso constante da máscara nasce o Eu-idealizado, o inatingível na prática, mas o intocável na ideia. O ego acredita ser o Eu-idealizado. Este Eu não possui defeitos, não possui sombra nenhuma. Ele acredita na própria perfeição e sofre quando instigado a ver a realidade. A dualidade.

Porém, por várias vezes, li algo dito por pessoas de diferentes culturas e diversas formas de ver a espiritualidade: que somos luz e sombra, e mesmo a sombra tem sua fonte na luz, ou seja, podemos transformar a treva de modo que a levemos para perto de um lugar que contenha brilho e integrá-la. Mas sem encará-la e trazê-la à consciência, será impossível.

Para essa dualidade, Carl Jung tem uma das melhores frases, e talvez, a que mais me faz refletir: “Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.”

Dentro dessas camadas o Falso Eu (ou o Eu Idealizado) permanece. Neste espaço, o ego não se desenvolve, no sentido de evoluir, e fica totalmente identificado com a máscara.

É tempo de retirar as camadas e chorar para seguir o caminho da evolução pessoal.

SEGUNDO DOMINGO DE AGOSTO

O Barbeiro de Plantas #37

O pai saía de casa cedo
para comprar o nosso tempo.
Tempo de criança é caro
(a arte de ser pai é algo raro).
E mesmo depois de velho
eu ainda guardo
a voz austera do pintor a ensinar
o pequeno aprendiz:
“Envermelha uma vez para não amarelar a vida inteira”,
ele diz.
Pintor de caráter, o pai.

ESCRITOR DA VIDA

P.I.S.T.A. #28

Dia 25 de julho foi celebrado o dia nacional do escritor. Acredito que todos nós somos escritores. Da própria vida, quero dizer.

A vida é este recorte temporal que nada mais é que uma oportunidade de escrever a própria experiência e de vislumbrar novas aventuras.

Neste mundo da matéria, o real é o sensorial. Aquilo que vemos, aquilo que ouvimos, aquilo que tocamos. Em que pese a minha crença de que este mundo é uma grande ilusão (a realidade não pode ser algo passageiro, deve ser algo que perdure, por isso acredito na existência do Espírito e este deve compor a realidade), estamos nesta vida para fazer alguma coisa, percorrendo esse sinuoso caminho de altos e baixos.

Ouvi dizer que um bom escritor necessariamente deve ser um bom leitor. E acrescento que também deva ser um bom ouvinte e um bom observador.

De outra maneira, não capta as percepções. E as percepções só se dão pelo contraste nesta vida material.

Jung disse que mesmo uma vida feliz não pode existir sem uma dose de escuridão. Aqui, neste mundo, há uma profusão de percepções. Percebemos o mundo pelo contraste. Consideramos conhecer o frio, por já ter sentido o calor. Consideramos conhecer a tristeza por já ter sentido a alegria. É uma roda que gira constantemente. Gosto de pensar que não se deve tentar curar as sensações. Dê espaço para o desenvolvimento delas e a integre no banco de dados do seu microcosmo, para identificar sempre que aparecer. Porque os sentimentos e sensações sempre voltam.

Assim, penso eu, escreve-se a vida. Diria o poeta, o caminho se faz ao caminhar.

Reflexões: xilema, floema, poema

P.I.S.T.A. #27

Vi uma árvore em seu inverno.

Viajei em uma ideia. A ideia da dualidade integrada da árvore.

Raízes profundas escondidas no escuro e embaixo da terra, invisível.

Galhos da copa que florescem na estação certa, mostrando vitalidade no visível.

São opostos que se integram, o formato deles são parecidos.

Em análise mais profunda, viajei que nossa rede de vasos sanguíneos e linfáticos são parecidos com o sistema da árvore, xilemas e floemas.

Vi uma copa de árvore sem as folhas e a semelhança com a rede de vasos do pulmão é incrível.

Somos feitos da mesma fôrma. A Natureza não é um recurso disponível para o homem.

Somos parte da Natureza. Estamos no ciclo, deveríamos defender a harmonia. “Back to Nature“.

“O que está em cima é como o que está embaixo”, diz a sabedoria hermética.

A Natureza aplica com maestria essa máxima, traduz em poesia. Somos capazes de ouvi-la? Ou a mente, abarrotada de pensamentos, não é capaz de compreender a mensagem?

Na cabeça enevoada de preocupação, não brilha a luz do Sol. E lá não se reconhece a poesia.